
Objetivo apresentar temas para discussão sobre a Literatura Brasileira. Também um espaço grande será dado à divulgação de novos autores e autoras nacionais.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
A conquista de Berlim
Vassily Tchuikov liderou
os soviéticos contra os nazistas, primeiro em defesa de Stalingrado e,
mais tarde, na longa travessia até Berlim, onde o que restava do
Terceiro Reich foi destruído. Conheça o relato minucioso do comandante
do Exército Soviético que promoveu a conquista do território inimigo e a
rendição dos nazistas em 1945. Narrativa fundamental para quem quer
conhecer a Segunda Guerra pela visão de um dos grandes nomes do
conflito.
O autor:
Vassily Tchuikov nasceu em 1900, em Serebryannye Prudy, perto de Moscou. Após a Revolução Russa, ingressou no Exército Vermelho, que defendeu durante a guerra civil. Na Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1943, atuou na defesa de Stalingrado. Após a retirada do Exército Nazista, Tchuikov comandou o avanço soviético, da Polônia até Berlim. Foi o primeiro comandante Aliado a saber do suicídio de Adolf Hitler e aceitou a rendição dos nazistas lotados na cidade. Foi promovido a general em 1955 e a membro do comitê central do Partido Comunista da União Soviética em 1961. Serviu no Exército Soviético entre 1917 e 1972 e lutou nas principais campanhas militares do período. Faleceu em 1982.
Editora: Contexto
Preço: 55,00
O autor:
Vassily Tchuikov nasceu em 1900, em Serebryannye Prudy, perto de Moscou. Após a Revolução Russa, ingressou no Exército Vermelho, que defendeu durante a guerra civil. Na Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1943, atuou na defesa de Stalingrado. Após a retirada do Exército Nazista, Tchuikov comandou o avanço soviético, da Polônia até Berlim. Foi o primeiro comandante Aliado a saber do suicídio de Adolf Hitler e aceitou a rendição dos nazistas lotados na cidade. Foi promovido a general em 1955 e a membro do comitê central do Partido Comunista da União Soviética em 1961. Serviu no Exército Soviético entre 1917 e 1972 e lutou nas principais campanhas militares do período. Faleceu em 1982.
Editora: Contexto
Preço: 55,00
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Iniciação à Literatura Brasileira - Antônio Cândido.
(artigo publicado em 2015 por Ricardo Silva - ver link ao final)
O quase centenário intelectual brasileiro Antônio Cândido é uma dessas sumidades das nossas letras. Considerado por este que aqui escreve como um dos maiores – para não dizer maior – crítico literário brasileiro, Cândido é responsável por obras seminais da crítica e teoria literária produzida no país. Convidado para escrever uma obra coletiva a ser editada na Itália como comemoração ao quinto centenário da “descoberta” da América, o crítico compôs um resumido guia histórico da literatura brasileira. Como o projeto não vingou, o resumo tomou forma e se transformou, após algumas alterações, nesse “Iniciação à Literatura Brasileira” (Ouro Sobre Azul, 2010).
As
discussões a respeito da história da literatura brasileira são vastas,
amplas e profundas. Não podendo, portanto, ter critérios absolutamente
válidos para fazer uma definição cabal dos meandros que perpassam todo o
processo de construção histórico da nossa literatura. O livro de
Cândido, tampouco, se arvora desse pressuposto definidor. O que
encontramos nas pouco mais de 130 páginas do resumo, é uma divisão
sucinta – uma introdução – dos principais períodos pelos quais passou a
nossa literatura: desde dos primeiros documentos e textos confeccionados
já em terra recém “descoberta”, que contam com forte influência
europeia – influência essa que perdura ainda em diversos aspectos da
produção literária nacional -, até os escritores modernos, com poucas
alusões a importantes nomes do cenário dos anos 2000 nas nossas letras –
o que vai além de uma simples introdução.
O livro é dividido em três momentos.
1) “Manifestações literárias”:
momento que vai do século XVI a meados do século XVIII e é fortemente
marcado pela transposição de modelos literários já consolidados nos
sistemas da literatura europeia, e que aqui teve múltiplas funções como
política, religiosa e profundamente social. Ou seja, não houve, em
terras brasileiras, o nascimento de uma literatura brasileira. O que
aconteceu foi uma transformação a medida que uma nova sociedade também
tomava corpo. É desse período que temos os escritos do “patriarca da
nossa literatura: José de Anchieta (1534-1597)”. Anchieta é responsável
pelo primeiro livro produzido no país e também por ser um dos raros a
compor peças exclusivamente literárias em quatro línguas – português,
espanhol, latim e tupi -, muitas vezes mesclando-as. O religioso também
foi o provocador da valorização do tupi, o que gerou nas autoridades da
época medidas de proibição do uso da língua indígena. Esse é o período
em que as crônicas de viagem, escritos religiosos e a “literatura de
senhores” predominaram quase que absolutamente. A exceção desse momento
vem de Gregório de Matos que, porém, não fugiu dos moldes da tradição
europeia na produção de sua obra.
2) “Configuração do sistema literário”:
se no primeiro ainda não tínhamos um sistema propriamente dito, nesse
segundo momento – que vai do século XVIII até o final do Romantismo –
temos os esboços de um sistema literário melhor desenhado. É a partir
daí que temos uma produção intelectual em terras brasileiras, onde as
primeiras manifestações de intelectuais da colônia começam a florescer.
Cândido pincela rapidamente as obras e escolas dessa época, como o
Arcadismo e o Romantismo, destacando as diversas transformações
sociopolíticas, e também de alguns movimentos pouco preponderantes, como
o Indianismo, que o professor Cândido chama de “um fenômeno de
adolescência nacionalista na literatura brasileira”. É aqui nesse
momento que temos o primeiro reconhecimento de uma literatura brasileira
completamente separada de Portugal, indicado pela obra “Résumé de l’Histoire Littéraire du Brésil”
do crítico francês Ferdinand Denis. No mais, Antônio Cândido desfila
uma série de obras e autores importantes para a configuração do nossos
sistema literário: Basílio da Gama, Tomás Antônio Gonzaga, Sousândrade,
Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Visconde de
Taunay, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães e o maior nome da
ficção brasileira dessa época, José de Alencar, para citar alguns. É,
então, com essa base, que o sistema então se consolida.
3) “O sistema literário consolidado”:
a obra do escritor que definiu essa consolidação foi a de Machado de
Assis, o maior nome das nossas letras. Foi graças a obra desse gigante,
que o nosso sistema literário tomou características maduras e pode
andar, até certo ponto, com suas próprias pernas: “Sua obra é variada e
tem a característica das produções eminentes: satisfaz tanto aos
requintados quantos aos simples. Ela tem, sobretudo, a possibilidade de
ser reinterpretada à medida que o tempo passa, porque, tendo uma
dimensão profunda de universalidade, funciona como se se dirigisse a
cada época que surge”. É nessa parte de seu resumo que a límpida escrita
de Cândido toma cores mais fortes e delineadas. Nos é apresentado o
rico leque da nossa literatura, com grandes nomes do Realismo, do
Modernismo, e as principais e mais relevantes obras desse período.
A pequena
obra, em tamanho, do professor Antônio Cândido serve como uma das mais
adequadas, cultas e intelectualizadas introduções ao profícuo universo
da literatura nacional. Uma obra necessária não somente para estudantes
da academia, mas também para curiosos sobre as peculiaridades da
formação da nossa tradição literária.
(fonte: https://roedordelivros.wordpress.com/2015/10/29/introducao-a-literatura-brasileira-antonio-candido/)
Entrevista com autor(a) - Ironi Jaeger
Gaúcha, tchê. Batalhadora. É uma escritora nova e que precisa ser melhor conhecida. Aproveite o que ela tem a dizer!
1 - Fale um pouco sobre sua trajetória de vida, antes
de se dedicar a literatura.
Minha vida sempre foi dividida entre o trabalho, a
casa e os filhos. Quando esses cresceram, pensei em viver um pouco, mas fui
surpreendida com uma grave doença do meu marido, câncer, perda dos rins,
hemodiálise.
Foram doze anos de luta com constantes idas e
vindas ao hospital, e longas internações.
Tornei-me assim uma espécie de refém voluntária, já
que ele passou a depender de mim para tudo.
Passei a não ter mais fim de semanas, feriados…
Estava em prisão domiciliar, e assim para passar o tempo nas emergências, tinha
como companheiros os livros.
2 - Quando descobriu sua vocação para escrever?
Desde a infância tive facilidade para escrever ou
contar histórias. Tirava as notas mais altas em português, e o primeiro lugar
nas redações escolares.
Na juventude, escrevia peças de teatro para as
encenações de natal, e era muito gratificante ver as pessoas encenando meus
escritos.
3 - Fale um pouco sobre os livros que já publicou.
O primeiro foi O
jogo das Pulseiras - os cromados, resultado do projeto-pena-cega.
É uma
trilogia que brinca com a situação atual do Brasil. Em 2015, quando o
idealizamos, imaginamos uma corporação por trás da corrupção. Na trama,
compramos deputados, senadores para que aprovassem nosso projeto.
Criamos um detetive para investigar a corrupção e
matamos alguns deles (risos) e agora. estamos elaborando o segundo.
O segundo Ofanins
Entre o Céu e a Terra, trata-se de um relato da minha visão sobre os anjos
e suas funções, e da luta deles em proteger os seres humanos.
O terceiro é um conto de suspense policial chamado O Segredo da Família Romans. Uma família
rica vive uma vida de aparente perfeição, até que um membro é assassinado e
todos os segredos sombrios vem a tona.
Tenho ainda contos, crônicas e poesias, publicadas.
4 - Existe um que você gosta mais? Por quê?
Gosto do Segredo
da Família Romans, por ser um suspense policial, foi muito divertido mudar
o assassino enquanto todos esperavam pelo obvio. Os comentários foram de
surpresa e isso me deixou bastante feliz.
5 - Comente sobre sua experiência com editoras. Ou
você é adepto a produção independente?
Por enquanto sou independente. Trabalho agora para
o Site Leia Livros e meus livros sairão com o selo deles.
6 - Nas entrevistas e bate-papos que acompanhamos na
internet, verificamos que existe uma preocupação muito grande com a revisão. Há
livros sendo publicados sem revisão de espécie alguma, nem a técnica (própria
da editora) nem a ortografia/gramatical. O que você pode nos dizer a respeito?
No seu caso particular você contrata um revisor(a) ou a editora se encarrega
disso?
Lamento muito que os livros sejam publicados sem
revisão, existem bons revisores, e o prazer da leitura perde muitos pontos
quando não há uma revisão adequada.
Para corrigir a ortografia existem bons programas,
mas é preciso haver estética no texto.
Quanto às editoras: falharem na revisão, creio que
estão depreciando seu próprio produto. E falhando com seus clientes e com os
leitores.
Sim, eu tenho minha revisora a Nell Morato, que
também é a revisora do Leia Livros.
7 - Outro ponto chave para os novos autores é a
divulgação das suas obras. Pode nos dizer de sua experiência a respeito?
Agora estando com o selo Leia Livros, minha
divulgação é automática com o site. O que torna minha tarefa bem mais fácil.
Divulgar é trabalhoso e cansativo. Mas o escritor,
precisa se tornar conhecido, alguns gostam de “tretas” para estarem na boca do
povo, eu particularmente prefiro ficar longe desse tipo de atitude.
8 - Bienais e feiras de livros são importantes para
os novos autores?
Muito. Creio que é um modo excelente de divulgação
e captação de leitores. Se as vendas em um primeiro momento não forem boas,
pelo menos fez-se presente, mostrou seu produto e com isso aumentou muito a sua
chance de ser visto pelos leitores e pelas editoras.
9 - Ouvem-se muitos comentários depreciativos sobre a
literatura brasileira contemporânea. É comum ouvir-se algo do tipo “não gosto,
não leio autores nacionais.” Em seu entendimento o que explicaria esse tipo de
assertiva?
Não gosto, não leio os autores nacionais, deveria
ser substituído por, não conheço, não me interessei ainda.
Eu particularmente acho que quem perde são eles (risos).
Se lessem, conhecessem como eu conheço, saberiam que temos livros melhores que
os estrangeiros, com apenas uma diferença, não são nomes famosos. Tenho me
surpreendido com histórias bem escritas, coerentes, divertidas e emocionantes.
Somos tão bons como eles, mas somos meros
desconhecidos.
10 - A partir de sua experiência pessoal, o que
poderia dizer para aqueles e aquelas que pretendem publicar livros?
Escrevam e publiquem. Se esse for seu sonho, faça.
Até porque quem publica um livro sabe o quanto é
trabalhoso, e automaticamente, passa a ter uma nova visão de contexto, o que o
levará a valorizar ainda mais os livros.
Quilombo dos Palmares é destaque em entrevista com o autor Jp Santsil
Meu
nome é João Paulo, porém sou conhecido pelos meus amigos e familiares
como Jp. Nasci em Salvador, Bahia, onde morei também na Ilha de
Itaparica. Sou professor de Capoeira Angola e ecoalfabetizador e
permacultor, onde tenho um programa de educação ambiental e cultural com
trabalhos locais e internacionais.
Atualmente,
moro em Israel, onde constituí uma linda família. Aqui, trabalho com
construção e manutenção de ambientes aquáticos ecológicos, agrofloresta e
agricultura orgânica policultural. Também sou músico percussionista e
amo escrever. Sou também estudante e praticante de Alquimia Operativa,
Kabbalah, Gnosticismo, Sabedoria Essênica e de Cultos Africanos e
Nativos Brasileiros.
“Veracidade
reunida a fantasia, isso é teoria histórica; retratando que toda
história que nos é relatada nas escolas e universidades e nos demais
grupos de estudos sobre Palmares não passa de teoria e imaginação dos
poucos historiadores que escreveram sobre o caso.”
Boa Leitura!
Escritor
Jp Santsil, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista
Divulga Escritor. Conte-nos o que despertou inicialmente o seu gosto
pela história do Quilombo dos Palmares?
Jp Santsil - Eu,
praticamente, cresci ouvindo histórias e escutando músicas a respeito
do Quilombo e Zumbi dos Palmares. Nasci em Salvador, capital da Bahia, o
verdadeiro centro da cultura afro-brasileira. A capital baiana é a
cidade com maior número de descendentes de africanos no mundo, seguida
por Nova York, majoritariamente de origem iorubá e congolesa, vindos da
Nigéria, Togo, Benim e Gana, Congo e Angola. Depois da ditadura militar
(1985), os blocos afros como Ilê Aiyê (1974), o Malê Debalê (1979),
Olodum (1979), Muzenza (1981), Cortejo Afro (1998) e o Bankoma (2000) se
reergueram na capital baiana, onde as suas maiores inspirações para as
letras dos seus enredos foi Palmares e seus heróis. Isso contribuiu
muito para minha inspiração desse meu primeiro livro.
Apresente-nos “O FILHO DAQUELA QUE MAIS BRILHA: A incrível saga do Quilombo dos Palmares no Novo Mundo”
Jp Santsil - Essa
obra nos conta a história de um ancião Griot chamado Djeli, um
descendente dos antigos povos Mandês, os Mandinkas que se transforma no
tutor espiritual e moral do jovem príncipe de Palmares N’zambi, depois
que ele regressa a N’gola N’janga, o K’ilombo. Djeli torna-se o guardião
do Sagrado e Eterno Contínuo, pacto feito pelos seus antepassados, os
primeiros africanos. Djeli vê em N’zambi o cumprimento de uma antiga
profecia, pela qual de tempos em tempos, no fim e no início de uma nova
era, quando a humanidade está em pleno caos, surge um guerreiro
libertador que é o Filho daquela que mais brilha. E assim se desenrola
uma incrível saga nas terras do Novo Mundo. Mas a obra vai muito mais
além do que se possa imaginar... Há mistérios!
Leia mais clicando no link ou imagem abaixo:
http://portalliterario.com/terça-feira, 19 de setembro de 2017
Entrevista com autor(a) - Bruna Longobucco
Vamos conhecer hoje uma autora mineira que conheci na Bienal de São Paulo.
Bruna Longobucco é mineira de Belo Horizonte. Escritora independente há
13 anos e com 16 livros publicados. Tem obras para o público adulto,
juvenil e infantil. Apaixonada por Literatura começou a escrever ainda na
infância. É graduada em Comunicação Social e Direito e pós-graduada em Revisão
de Texto, entre seus originais há poesias, contos, crônicas, músicas e
romances.
Fanpage: https://www.facebook.com/blongobucco/
1.
Fale um pouco
sobre sua trajetória de vida, antes de se dedicar à literatura.
A Literatura faz parte da minha vida desde que me
entendo por gente, então é difícil falar sobre minha vida antes de me dedicar a
ela. Aos 8 anos já era uma leitora assídua. Apaixonei-me por livros muito cedo
e comecei a versificar aos 9. Depois vieram textos, contos e aos 16 escrevi meu
primeiro romance. Enquanto eu vivia lendo e escrevendo, estudei, fiz duas
faculdades, tirei minha OAB, mas os livros sempre me chamavam. Publicar foi
outra história.
2.
Quando descobriu
sua “vocação” para escrever?
A vocação eu descobri bem cedo, como eu disse, aos 9
anos já versificava. Do nada me inspirava. Mas só entendi como isso era
essencial pra mim, quando prestei concursos públicos. Já num cargo jurídico, eu
entendi que não podia viver sem me dedicar aos livros. Muita gente me julgou
quando pedi exoneração. Não me importei e fui em frente.
3.
Fale um pouco
sobre os livros que já publicou.
São 16 livros publicados. Contos, crônicas e
romances. Os romances são os que me dão mais alegria.
O menino que tecia sonhos, 2004;
Além das nuvens,
2005;
Luz do sol, 2006;
O vale da liberdade, 2007;
Um outro olhar,
2008;
Sem destino, 2009;
Meu caminho de lua, 2010;
Centúrias, 2010;
Duas
Luas, 2011;
Uma nova chance, 2012;
O enigma da estrela, 2015;
Mais que
uma escolha, 2016;
O outro lado do não, 2016;
Um motivo pra sorrir, 2016;
O novo mundo das letrinhas, 2016;
O meu
melhor amigo, 2017.
4.
Existe um que
você gosta mais? Por quê?
Sem destino. Porque traz um
universo rural que vivenciei boa parte de minha vida. E a personagem é forte,
ela representa busca e reencontro, o que é parte de todos nós.
5.
Comente sobre
sua experiência com editoras. Ou
você é adepta de produção independente?
Sim, posso dizer que sou adepta da produção
independente. Vou explicar o motivo. Sobre as editoras, existem duas formas de
publicação: As que não cobram para
publicar e as que cobram para publicar. No início, quando ainda não sabia
nada sobre autopublicação, a primeira e maior dificuldade que encontrei foi
obter uma avaliação dos originais. O que muito se ouve é que as editoras que
não cobram para publicar recebem pilhas e pilhas de livros e muitos são
descartados sem análise. Eu cheguei a enviar alguns trabalhos, mas logo recebi de
volta e me deu a impressão que estavam intocados. Naquele tempo eles ainda
devolviam. Um dia recebi uma carta com a recusa da editora para outro autor. Ou
seja, não era pra mim, mas veio no meu endereço. Nossa, isso marcou o começo da
minha carreira como autora independente. Acabei desistindo das editoras não
pagas, pois percebi que nem sempre existe um tratamento adequado na análise dos
originais. Claro que devem existir exceções. Estou falando de uma experiência.
Fato é que a partir daí decidi seguir em frente sozinha.
Antes vou falar
brevemente sobre as editoras que cobram para publicar, os custos são altos. Eu já recebi
orçamento que chegou a R$ 160 reais por custo unitário de um livro, acredite.
Várias editoras hoje abrem espaço para publicação sob demanda, ou seja, o autor
paga e publica sob um determinado selo editorial, mas os contratos para novos
autores custam aproximadamente 14 mil reais, sem nenhuma divulgação e
distribuição que realmente dê um retorno para o autor. Daí, você investe muito e o livro se torna um
desconhecido na última prateleira de uma livraria qualquer sem nenhuma chance
de chegar ao leitor. Já passei por isso e fiquei na mesma.
Então, apesar de ter realizado alguns
contratos com editoras, pequenas e grandes, acabei chegando à conclusão de que
o melhor era seguir meu caminho como autora independente. Terceirizar os
serviços e publicar por minha conta, sempre buscando o melhor preço e
qualidade.
6.
Nas entrevistas
e bate-papos que acompanhamos pela internet, verificamos que existe uma
preocupação muito grande com a revisão. Há livros sendo publicados sem revisão
de espécie alguma, nem a técnica (própria da editora) nem a
ortográfica/gramatical. O que você pode nos dizer a respeito? No seu caso
particular, você contrata um(a) revisor(a)? Ou a editora se encarrega disso?
Hoje a gente percebe que angariar autores virou o
foco de muitas editoras, porque eles pagam para publicar, trata-se de um
público enorme, mas e a qualidade do que se publica, como fica?
Eu sou autora independente, repito, mas não abro mão
da qualidade do que faço, seja no miolo do livro ou na impressão. Eu sou
revisora de texto há 9 anos. Fiz inclusive especialização. E mesmo assim hoje
faço questão de submeter meus livros à revisão. E olha que faço isso depois de reler
atentamente, mesmo minha revisora sendo muito competente. Não vou dizer que
criatividade depende da técnica, não depende, mas para oferecermos nossos
livros com qualidade precisamos sim nos importar com nosso texto. Vejo com
tristeza essa postura de não revisar, essa despreocupação por parte das
editoras e de alguns autores, muitos na verdade. Já ouvi autor falando que não
revisa para economizar nos gastos de edição. É uma economia que só traz
prejuízo.
7.
Outro ponto
chave para os novos autores é a divulgação de suas obras. Pode nos dizer de sua
experiência a respeito?
Sim, o autor quando começa nesse meio pensa que
imprimir o livro é a parte mais difícil por causa dos custos de edição, mas não
é. Depois vem a distribuição. Hoje quase não há distribuição de autores
independentes. Então, você gastou, se envolveu e não tem como chegar às
gôndolas de uma livraria. E não bastasse a dificuldade de distribuir, vem a
divulgação, que também tem alto custo. E é outra barreira. Como apresentar o
livro para o leitor? Sabemos que estatisticamente o Brasil é um país de não
leitores. Ora, se somos um país de não leitores, imagine como é difícil um novo
autor independente cativar um leitor? Porque infelizmente tanto o autor
independente quanto a Literatura Nacional ainda sofrem preconceito. O que eu fiz e faço? Conquistar um
leitor de cada vez. Divulgo nas redes sociais, tento ir às feiras e bienais,
faço parcerias com blogueiros, e principalmente, vendo meus livros por
indicação. O retorno e o carinho do leitor é a razão pela qual persisto há 13
anos como autora independente.
8.
Bienais e feiras
de livros – são importantes para os novos autores?
Muito. Não importa o lugar e o público estimado, se
você tem como ir vá. Eu demorei anos para interagir pessoalmente com o público.
Publicava mais virtualmente e fazia lançamento para os parentes, amigos,
colegas, conhecidos. Precisamos ir além do que nos é confortável. E já que não
estamos na mídia, ta humildade é requisito fundamental. É no contato direto com
o leitor que você vai ouvir a verdade sobre o seu livro, doa a quem doer. Não
adianta eu falar sobre o que eu escrevo, mas sim a opinião de quem lê, de quem
pega o livro impresso, de quem analisa a capa. Além disso, só nas feiras e
bienais conseguimos esgotar nossas tiragens. Algumas não dão retorno, outras
dão, não desanime, é assim que funciona.
9.
Ouvem-se muitos
comentários depreciativos sobre a literatura brasileira contemporânea. É comum
ouvir-se algo do tipo “não gosto, não leio autores nacionais”. Em seu
entendimento o que explicaria tal tipo de assertiva?
Só quem não lê a nossa nova literatura pode falar
assim. Existe muita coisa boa chegando, mas a maioria dos poucos leitores
assíduos em nosso país ainda não dão chance para a novidade, justamente por
esse preconceito em relação ao que é Nacional, ou simplesmente pela adoração do que
vem de fora. Gostar de livro nacional, conhecer o que é novo, não desabona a
literatura estrangeira. Cada uma tem seu lugar e é importante. Mas também não
podemos esquecer que alguns leitores estão calejados por livros ruins e mal
escritos que comprometem os excelentes livros recém-lançados.
10. A partir de sua experiência pessoal, o que poderia
dizer para aqueles e aquelas que pretendem publicar livros?
Se você ama o que faz e não se imagina vivendo sem a
escrita, vá em frente e seja persistente. Porém, cuidado com promessas
editoriais enganosas, gastos desnecessários, da mesma forma, aprimore seu
texto, leia, estude, leia mais e busque dar sempre o melhor de si no que faz.
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