sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dois livros abordam Memória e Patrimônio



Nos belíssimos capítulos que escreveu para o volume 1 da Enciclopédia Einaudi dedicado à Memória, Jacques le Goff conclui que “a memória coletiva faz parte das grandes questões das sociedades desenvolvidas e das sociedades em vias de desenvolvimento, das classes dominantes e das classes dominadas, lutando todas pelo poder ou pela vida, pela sobrevivência e pela promoção”.

E insiste na necessidade da democratização da memória social, afirmando que cabe aos profissionais científicos da memória “fazer da luta pela democratização da memória social, um dos imperativos prioritários da sua objetividade científica”.

O capítulo sobre Memória se encerra com um parágrafo lapidar: “A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens”.

No capítulo Documento/Monumento, esse mesmo autor nos diz que “A palavra latina monumentum remete para a raiz indo-europeia men, que exprime uma das funções essenciais do espírito (mens), a memória (memini). O monumentum é um sinal do passado [...] Mas desde a Antiguidade romana o monumentum tende a especializar-se em dois sentidos: 1) uma obra comemorativa de arquitetura ou de escultura: arco de triunfo, coluna, troféu, pórtico etc.; 2) um monumento funerário destinado a perpetuar a recordação de uma pessoa no domínio em que a memória é particularmente valorizada: a morte”.

Essas falas de Le Goff me vieram à mente ao examinar dois livros recentes, da mesma autora, filósofa e professora, com quem tive oportunidade de trabalhar: Maria de Lourdes Caldas Gouveia.

Ela vem desenvolvendo um belo trabalho intitulado Matéria da Memória: a cidade e seus símbolos. E tenho dois volumes já publicados, cujas capas mostro a seguir.











“O cemitério do Bonfim como símbolo da cidade” e “A praça da Liberdade como símbolo da cidade”, nos revelam, em linguagem dinâmica e apaixonante o que esses dois monumentos de Belo Horizonte significam para a democratização da memória social de que fala Le Goff.

São dois belíssimos livros, de editoração excelente, com amplas e portentosas imagens desses dois núcleos patrimoniais que se destacam pela relevância histórica, simbólica, social e cultural da capital mineira.

Nem preciso dizer que recomendo a todos a leitura dos dois volumes. E não apenas a leitura, mas, também, que deixem seus olhos brilhar intensamente com as fotografias que os ilustram.

A publicação ficou a cargo da ONG Akala (www.akala.org.br)

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