quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Entrevista com autor(a) - Ironi Jaeger

Gaúcha, tchê. Batalhadora. É uma escritora nova e que precisa ser melhor conhecida. Aproveite o que ela tem a dizer!





1 - Fale um pouco sobre sua trajetória de vida, antes de se dedicar a literatura.
Minha vida sempre foi dividida entre o trabalho, a casa e os filhos. Quando esses cresceram, pensei em viver um pouco, mas fui surpreendida com uma grave doença do meu marido, câncer, perda dos rins, hemodiálise.
Foram doze anos de luta com constantes idas e vindas ao hospital, e longas internações.
Tornei-me assim uma espécie de refém voluntária, já que ele passou a depender de mim para tudo.
Passei a não ter mais fim de semanas, feriados… Estava em prisão domiciliar, e assim para passar o tempo nas emergências, tinha como companheiros os livros.

2 - Quando descobriu sua vocação para escrever?
Desde a infância tive facilidade para escrever ou contar histórias. Tirava as notas mais altas em português, e o primeiro lugar nas redações escolares.
Na juventude, escrevia peças de teatro para as encenações de natal, e era muito gratificante ver as pessoas encenando meus escritos.

3 - Fale um pouco sobre os livros que já publicou.
O primeiro foi O jogo das Pulseiras - os cromados, resultado do projeto-pena-cega.
 É uma trilogia que brinca com a situação atual do Brasil. Em 2015, quando o idealizamos, imaginamos uma corporação por trás da corrupção. Na trama, compramos deputados, senadores para que aprovassem nosso projeto.
Criamos um detetive para investigar a corrupção e matamos alguns deles (risos) e agora. estamos elaborando o segundo.



O segundo Ofanins Entre o Céu e a Terra, trata-se de um relato da minha visão sobre os anjos e suas funções, e da luta deles em proteger os seres humanos.



O terceiro é um conto de suspense policial chamado O Segredo da Família Romans. Uma família rica vive uma vida de aparente perfeição, até que um membro é assassinado e todos os segredos sombrios vem a tona.
Tenho ainda contos, crônicas e poesias, publicadas.

4 - Existe um que você gosta mais? Por quê?
Gosto do Segredo da Família Romans, por ser um suspense policial, foi muito divertido mudar o assassino enquanto todos esperavam pelo obvio. Os comentários foram de surpresa e isso me deixou bastante feliz.


5 - Comente sobre sua experiência com editoras. Ou você é adepto a produção independente?
Por enquanto sou independente. Trabalho agora para o Site Leia Livros e meus livros sairão com o selo deles.

6 - Nas entrevistas e bate-papos que acompanhamos na internet, verificamos que existe uma preocupação muito grande com a revisão. Há livros sendo publicados sem revisão de espécie alguma, nem a técnica (própria da editora) nem a ortografia/gramatical. O que você pode nos dizer a respeito? No seu caso particular você contrata um revisor(a) ou a editora se encarrega disso?

Lamento muito que os livros sejam publicados sem revisão, existem bons revisores, e o prazer da leitura perde muitos pontos quando não há uma revisão adequada.
Para corrigir a ortografia existem bons programas, mas é preciso haver estética no texto.
Quanto às editoras: falharem na revisão, creio que estão depreciando seu próprio produto. E falhando com seus clientes e com os leitores.
Sim, eu tenho minha revisora a Nell Morato, que também é a revisora do Leia Livros.

7 - Outro ponto chave para os novos autores é a divulgação das suas obras. Pode nos dizer de sua experiência a respeito?
Agora estando com o selo Leia Livros, minha divulgação é automática com o site. O que torna minha tarefa bem mais fácil.
Divulgar é trabalhoso e cansativo. Mas o escritor, precisa se tornar conhecido, alguns gostam de “tretas” para estarem na boca do povo, eu particularmente prefiro ficar longe desse tipo de atitude.

8 - Bienais e feiras de livros são importantes para os novos autores?
Muito. Creio que é um modo excelente de divulgação e captação de leitores. Se as vendas em um primeiro momento não forem boas, pelo menos fez-se presente, mostrou seu produto e com isso aumentou muito a sua chance de ser visto pelos leitores e pelas editoras.

9 - Ouvem-se muitos comentários depreciativos sobre a literatura brasileira contemporânea. É comum ouvir-se algo do tipo “não gosto, não leio autores nacionais.” Em seu entendimento o que explicaria esse tipo de assertiva?
Não gosto, não leio os autores nacionais, deveria ser substituído por, não conheço, não me interessei ainda.
Eu particularmente acho que quem perde são eles (risos). Se lessem, conhecessem como eu conheço, saberiam que temos livros melhores que os estrangeiros, com apenas uma diferença, não são nomes famosos. Tenho me surpreendido com histórias bem escritas, coerentes, divertidas e emocionantes.
Somos tão bons como eles, mas somos meros desconhecidos.

10 - A partir de sua experiência pessoal, o que poderia dizer para aqueles e aquelas que pretendem publicar livros?
Escrevam e publiquem. Se esse for seu sonho, faça.
Até porque quem publica um livro sabe o quanto é trabalhoso, e automaticamente, passa a ter uma nova visão de contexto, o que o levará a valorizar ainda mais os livros.

3 comentários:

  1. Uma grande escritora, rumo ao sucesso.

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  2. Excelente entrevista. Obrigado por mencionar-me. Parabéns pelo trabalho, Ricardo.

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  3. Admiro-te pelo trabalho com a literatura!
    Entrevista muito boa!
    Parabéns pela sua escrita!

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